quarta-feira, 10 de julho de 2013

Lendas: Deuses Egípcios - Bastet

Boa tarde, caros leitores. Hoje trago um post sobre Bastet para nossa coluna Lendas, espero que gostem. Confesso que foi um pouco complicado escrever sobre ela, pois eu encontrei duas lendas acerca de seu envolvimento com Rá e Sekhmet que se contradizem x.x. Optei por falar daquela que achei mais coerente, vocês ainda podem ler sobre a outra lenda se visitar as fontes. Os egípcios são bem confusos e nem mesmo eles sabem dizer quem foi Bastet de fato e qual seu envolvimento com Sekhmet e Rá.



Bastet (Bast, Ubasti, Ba-en-Aset ou Ailuros) é a deusa-gato, simbolizava a fertilidade, protegia os gatos e as mulheres grávidas, guardiã de casas e defensora de seus filhos. Bastet era uma divindade solar, representada por um corpo feminino com cabeça de gato-preto a qual carregava um sistro na mão, e tinha o poder sobre os eclipses solares. Também era esposa de Ptah e mãe de Nefertum e Mihos.

Ela é comumente confundida com Sekhmet, a deusa com cabeça de leoa. As lendas dizem que Rá ordenou Sekhmet punir os humanos por desobediência. Ela acatou a ordem com tanta fúria que Rá precisou embebedá-la com cerveja para não exterminar toda a raça humana. Bêbada, Sekhmet engravidou de Rá e, posteriormente, teve Bastet.

O culto a Bastet começou, ainda na segunda dinastia do antigo Egito, em Bubastis (cidade do Delta do Nilo) e era associada a gatos selvagens. Após o Império Médio (2040 a. C. a 1640 a. C.), ela passou a ser associada a gatos domésticos.

Até então, não era considerada uma divindade nacional apesar de ser muito estimada na região de origem. Foram os soberanos da dinastia XII (1991 a. C. a 1789 a. C.), oriundos de Bubastis, que a tornaram uma divindade nacional e, desde então, passou a ser considerada filha de Rá e adquiriu os poderes benéficos do sol.

O Templo de Bastet, construído em Bubastis e chamado de Per-Bastet (Casa de Bastet), também matinha gatos que consideravam sagrados para serem embalsamados após a morte e oferecidos como oferenda à deusa. Eram, então, enterrados dentro de pequenos caixões feitos sob medida em cemitérios especiais para gatos nas cidades de Beni Hassan, Saqqara e Bubastis.


Animal Símbolo

Os gatos eram animais sagrados para os egípcios antigos. Além de representar a deusa Bastet e serem considerados a própria reencarnação da deusa, eles possuíam grande valor econômico. Isso, talvez, deva-se ao fato de que eram responsáveis por controlar a população de ratos da região, estes animais eram responsáveis por destruir as colheitas de grãos e cereais e espalhar doenças.

A veneração a estes pequenos felinos era tão grande que quando um gato morria, todos os membros da casa raspavam as sobrancelhas em luto e respeito ao animal que era embalsamado, colocado em um caixão feito especialmente para ele e enviado a Bubastis para ser enterrado em um dos cemitérios construídos somente para esses animais. Uma prática comum para esse povo era consagrar as crianças recém-nascidas a um gato e estas crianças, após a consagração, deveriam usar uma medalha com a efígie do animal por toda sua vida.


Curiosidades

No Egito Antigo, as leis eram peculiares e severas para aquele que matasse um gato, consideradas crimes que nem mesmo o faraó poderia intervir e absolver. Como aconteceu com um romano que por descuido foi responsável pela morte de um gato, o faraó da época, Rei Tolomeo XII, não pôde absolvê-lo. O romano acabou morrendo por linchamento.

Baseado nisso, um comandante persa, Cambises II, conquistou a cidade de Pelusa usando uma estratégia inusitada: o exército persa usou uma grande quantidade de gatos na linha de frente como escudo. A adoração e respeito a esse animal era tanta que os egípcios preferiram se render aos persas a matar os animais.

Em casos de incêndio, esses felinos também eram protegidos a todo custo e os primeiros a serem salvos.

As mulheres usavam os gatos como inspiração para delinearem os olhos, uma prática comum da sociedade da época. O desenho feito com o delineador era uma imitação do formato amendoado dos olhos de Bastet.

Ao contrário da sociedade atual, os antigos egípcios acreditavam que os gatos pretos eram símbolo de sorte, pois eram especiais para Bastet. Médicos utilizavam este símbolo como forma de mostrarem sua capacidade de cura.

Nos templos de Heliópolis, Rá foi representado com o rosto de um gato. As pupilas de sua estátua foram desenhadas de maneira que se dilatavam ou retraíam com a posição do sol, o que permitira os egípcios determinar as fases do dia. Posteriormente, em algumas regiões da China, os chineses aprenderam a utilizar essa prática e passaram a usar os gatos como autênticos relógios vivos, calculando a hora conforme o tamanho das pupilas.

Fontes: Templo de Apolo, All of the Mitology, Discovery, Olhos de Bastet, Fascínio Egito, Reino dos Gatos e Mundo Estranho


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